Informações falsas sobre vacinas, tratamentos médicos e promessas de cura continuam circulando nas redes sociais e aplicativos de mensagens. Um levantamento da Agência Lupa revelou que 87,3% dos conteúdos virais sobre saúde analisados pela instituição eram falsos.
O resultado faz parte do relatório Raio-X da Desinformação em Saúde, que examinou 764 conteúdos verificados entre março de 2017 e junho de 2026. Desse total, 667 apresentavam informações falsas.
A análise identificou uma média de seis conteúdos falsos por mês ao longo do período. A circulação de alegações enganosas ganhou destaque durante a pandemia de covid-19, quando a agência realizou 452 verificações somente entre 2020 e 2021.
Os números se referem ao conjunto de publicações checadas pela Lupa e não significam que quase 90% de todas as informações sobre saúde disponíveis na internet sejam falsas.
Falsos especialistas e pesquisas distorcidas
O estudo identificou diferentes estratégias utilizadas para dar credibilidade a informações enganosas.
A mais frequente foi o uso indevido da autoridade de médicos e cientistas, presente em 21,6% dos casos. Nessa prática, publicações utilizam nomes, imagens ou supostas declarações de profissionais para transmitir confiança ao público.
Mensagens alarmistas apareceram em 17% dos conteúdos, enquanto a distorção de pesquisas científicas representou 15,7%.
Outros 12,6% exploravam promessas de soluções simples para problemas complexos, como tratamentos rápidos ou métodos apresentados como alternativas a procedimentos médicos convencionais.
Vacinas estão entre os principais alvos
As vacinas aparecem com destaque no levantamento. Das 244 alegações analisadas sobre o tema, 212 foram classificadas como falsas, o equivalente a 86,9%.
O relatório também identificou conteúdos que divulgavam tratamentos sem comprovação científica e supostas curas milagrosas.
O diabetes foi uma das doenças exploradas por publicações com interesses comerciais, incluindo anúncios de produtos que prometiam controlar a condição ou substituir medicamentos sem acompanhamento profissional.
Esse tipo de desinformação pode representar riscos à saúde, especialmente quando incentiva pessoas a abandonar tratamentos prescritos ou utilizar substâncias sem orientação médica.
WhatsApp aparece em mais de 70% das verificações analisadas
O WhatsApp foi a plataforma mais frequentemente associada à circulação dos conteúdos examinados pela Agência Lupa.
Em um conjunto de 498 verificações, mais de 70% envolviam informações encontradas ou compartilhadas pelo aplicativo. Facebook e Instagram também apareceram no levantamento.
A agência ressalta, porém, que o resultado não permite concluir que o WhatsApp seja a principal origem da desinformação sobre saúde. Isso porque a própria instituição recebe pedidos de checagem por meio do aplicativo, o que influencia a presença da plataforma na amostra.
Como evitar informações falsas sobre saúde
O levantamento reforça a necessidade de verificar a procedência de informações relacionadas a doenças, vacinas e medicamentos antes de compartilhá-las.
Publicações que prometem curas rápidas, apresentam tratamentos milagrosos ou atribuem recomendações a profissionais sem identificar fontes confiáveis exigem atenção.
A orientação é buscar informações em instituições de saúde, órgãos oficiais e fontes científicas reconhecidas, além de consultar profissionais habilitados antes de iniciar, substituir ou interromper tratamentos.
Com informações da Agência Lupa.












