Estudo revela que 87% das informações virais sobre saúde checadas são falsas

Pessoa utilizando celular para acessar informações sobre saúde nas redes sociais, ilustrando a circulação de notícias falsas.
Levantamento da Agência Lupa identificou informações falsas em 87,3% dos conteúdos virais sobre saúde analisados entre 2017 e 2026. (Foto: Magnific)

Informações falsas sobre vacinas, tratamentos médicos e promessas de cura continuam circulando nas redes sociais e aplicativos de mensagens. Um levantamento da Agência Lupa revelou que 87,3% dos conteúdos virais sobre saúde analisados pela instituição eram falsos.

O resultado faz parte do relatório Raio-X da Desinformação em Saúde, que examinou 764 conteúdos verificados entre março de 2017 e junho de 2026. Desse total, 667 apresentavam informações falsas.

A análise identificou uma média de seis conteúdos falsos por mês ao longo do período. A circulação de alegações enganosas ganhou destaque durante a pandemia de covid-19, quando a agência realizou 452 verificações somente entre 2020 e 2021.

Os números se referem ao conjunto de publicações checadas pela Lupa e não significam que quase 90% de todas as informações sobre saúde disponíveis na internet sejam falsas.

Falsos especialistas e pesquisas distorcidas

O estudo identificou diferentes estratégias utilizadas para dar credibilidade a informações enganosas.

A mais frequente foi o uso indevido da autoridade de médicos e cientistas, presente em 21,6% dos casos. Nessa prática, publicações utilizam nomes, imagens ou supostas declarações de profissionais para transmitir confiança ao público.

Mensagens alarmistas apareceram em 17% dos conteúdos, enquanto a distorção de pesquisas científicas representou 15,7%.

Outros 12,6% exploravam promessas de soluções simples para problemas complexos, como tratamentos rápidos ou métodos apresentados como alternativas a procedimentos médicos convencionais.

Vacinas estão entre os principais alvos

As vacinas aparecem com destaque no levantamento. Das 244 alegações analisadas sobre o tema, 212 foram classificadas como falsas, o equivalente a 86,9%.

O relatório também identificou conteúdos que divulgavam tratamentos sem comprovação científica e supostas curas milagrosas.

O diabetes foi uma das doenças exploradas por publicações com interesses comerciais, incluindo anúncios de produtos que prometiam controlar a condição ou substituir medicamentos sem acompanhamento profissional.

Esse tipo de desinformação pode representar riscos à saúde, especialmente quando incentiva pessoas a abandonar tratamentos prescritos ou utilizar substâncias sem orientação médica.

WhatsApp aparece em mais de 70% das verificações analisadas

O WhatsApp foi a plataforma mais frequentemente associada à circulação dos conteúdos examinados pela Agência Lupa.

Em um conjunto de 498 verificações, mais de 70% envolviam informações encontradas ou compartilhadas pelo aplicativo. Facebook e Instagram também apareceram no levantamento.

A agência ressalta, porém, que o resultado não permite concluir que o WhatsApp seja a principal origem da desinformação sobre saúde. Isso porque a própria instituição recebe pedidos de checagem por meio do aplicativo, o que influencia a presença da plataforma na amostra.

Como evitar informações falsas sobre saúde

O levantamento reforça a necessidade de verificar a procedência de informações relacionadas a doenças, vacinas e medicamentos antes de compartilhá-las.

Publicações que prometem curas rápidas, apresentam tratamentos milagrosos ou atribuem recomendações a profissionais sem identificar fontes confiáveis exigem atenção.

A orientação é buscar informações em instituições de saúde, órgãos oficiais e fontes científicas reconhecidas, além de consultar profissionais habilitados antes de iniciar, substituir ou interromper tratamentos.

Com informações da Agência Lupa.

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