O Brasil registrou aproximadamente 1,5 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil em 2025, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O número representa uma redução de 9,2% em relação a 2024. Apesar da queda, o levantamento revela que 525 mil crianças e adolescentes ainda exerciam atividades classificadas entre as piores formas de trabalho infantil, que envolvem riscos à saúde, à segurança e à integridade física.
Essas atividades representam 36,2% dos jovens que exerciam atividades econômicas e incluem trabalhos com máquinas perigosas, produtos químicos e exposição a condições insalubres.
Em comparação com 2016, quando 919 mil crianças e adolescentes estavam submetidos a essas condições, houve uma redução de 42,9%.
Região Norte tem a maior taxa de trabalho infantil
O levantamento mostra diferenças importantes entre as regiões brasileiras.
Em números absolutos, o Sudeste concentra a maior quantidade de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, com 481 mil casos. Em seguida aparecem Nordeste, com 408 mil; Norte, com 249 mil; Sul, com 233 mil; e Centro-Oeste, com 128 mil.
Entretanto, quando considerada a proporção em relação à população de crianças e adolescentes, o Norte apresenta a situação mais preocupante.
Na região, 6,3% das pessoas de 5 a 17 anos estavam em situação de trabalho infantil, a maior taxa do país. No Sudeste, o percentual era de 3,3%, o menor entre as regiões.
Os dados indicam que, embora o Sudeste tenha mais ocorrências, o problema atinge proporcionalmente uma parcela maior da população jovem da Região Norte, onde está localizado o Amazonas.
Adolescentes de 16 e 17 anos são os mais afetados
A pesquisa identificou que 871 mil adolescentes de 16 e 17 anos estavam em situação de trabalho infantil, representando 58,1% do total nacional.
Entre os jovens de 14 e 15 anos, foram registrados 348 mil casos. Já entre crianças de 5 a 13 anos, o número chegou a 280 mil.
O levantamento também aponta desigualdades de gênero e raça. Os meninos representavam 65,4% dos casos, enquanto meninas correspondiam a 34,6%.
Crianças e adolescentes pretos ou pardos somavam 67% do total.
Entre aqueles submetidos às piores formas de trabalho infantil, a participação masculina era ainda maior, chegando a 72,6%.
Pela legislação brasileira, o trabalho é proibido antes dos 14 anos. Entre 14 e 15 anos, somente é permitido na condição de aprendiz. A partir dos 16 anos, o trabalho pode ser realizado, desde que não envolva atividades noturnas, perigosas, insalubres ou proibidas para menores de 18 anos.
Trabalho infantil está associado à menor frequência escolar
A pesquisa também revelou diferenças na frequência escolar entre crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil e a população da mesma faixa etária.
Entre aqueles em situação de trabalho infantil, 86,9% frequentavam a escola. Na população geral de 5 a 17 anos, o índice era de 97,5%.
A diferença é ainda mais evidente entre adolescentes de 16 e 17 anos: 79,6% dos que estavam em situação de trabalho infantil estudavam, contra 89,6% do total dessa faixa etária.
O rendimento médio mensal das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil era de R$ 936. Entre os que continuavam estudando, a média era de R$ 844, enquanto aqueles que estavam fora da escola recebiam R$ 1.326.
Embora os dados não comprovem que o trabalho tenha causado o abandono escolar em todos os casos, mostram uma associação entre a situação de trabalho infantil e a menor frequência às aulas.
Famílias do Bolsa Família concentram maior parte da redução
Segundo o IBGE, a diminuição do trabalho infantil em 2025 ocorreu principalmente entre crianças e adolescentes de famílias beneficiárias do Bolsa Família.
Nesse grupo, houve uma redução de 20,1% em relação ao ano anterior, equivalente a 144 mil crianças e adolescentes a menos em situação de trabalho infantil.
O número corresponde a mais de 95% da redução de 151 mil casos registrada no país entre 2024 e 2025.
Ainda assim, 573 mil crianças e adolescentes de famílias atendidas pelo programa permaneciam em situação de trabalho infantil.
O levantamento também revelou diferenças de renda. Nas famílias beneficiárias, a renda média mensal por pessoa era de R$ 660, enquanto nos domicílios que não recebiam o benefício chegava a R$ 1.990.
Apesar da concentração da queda entre beneficiários, os dados não permitem atribuir a redução exclusivamente ao programa social, já que outros fatores econômicos e sociais também podem influenciar os resultados.
Fiscalização retirou mais de 4 mil crianças do trabalho infantil
Em 2025, o Ministério do Trabalho e Emprego realizou 10.234 ações fiscais em todo o país, que resultaram no afastamento de 4.318 crianças e adolescentes de atividades ilegais.
Foi o maior número de afastamentos registrado nos últimos dez anos.
Minas Gerais liderou as ocorrências identificadas pela fiscalização, com 830 afastamentos, seguido por São Paulo, com 629.
As denúncias também cresceram. O Disque 100 recebeu aproximadamente 5,1 mil registros relacionados ao trabalho infantil, aumento de 19,4% em relação a 2024.
Já o Ministério Público do Trabalho contabilizou cerca de 7,9 mil denúncias, crescimento de 36,6%.
Apesar da redução nacional, os números mostram que o trabalho infantil continua sendo um desafio no Brasil, especialmente nas atividades perigosas, na informalidade e nas regiões com maior proporção de crianças e adolescentes submetidos a essas condições.
Com informações do g1 e dados do IBGE.













