Fuzil capaz de derrubar helicóptero é apreendido em operação contra o tráfico no Amazonas

Fuzil apreendido pela Polícia Federal durante operação contra o tráfico no Amazonas
Fuzil de precisão de alto poder foi apreendido durante a Operação La Máquina, em Manaus. (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)

Um fuzil de precisão de calibre .50, com capacidade para atingir aeronaves e perfurar blindagens, foi apreendido pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (13), em Manaus, durante a Operação La Máquina. A ação investiga uma organização criminosa suspeita de tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro no Amazonas.

Segundo a PF, o grupo investigado teria ligação com o Comando Vermelho (CV) e utilizava aviões de pequeno porte, pilotos e pistas clandestinas para transportar drogas da Amazônia para outras regiões do país.

O armamento apreendido seria um Barrett M82A1 ou uma variante da série M82/M107, de calibre .50 BMG. O fuzil foi encontrado embalado durante o cumprimento de um dos mandados, levantando a suspeita de que poderia ser transportado para outro local.

Além da arma de alto poder, foram apreendidos outros armamentos, motocicletas, um caminhão-reboque e dinheiro. A PF ainda não havia divulgado o balanço definitivo das apreensões.

Operação cumpre mandados em oito estados

Ao todo, a Operação La Máquina cumpre 43 mandados judiciais no Amazonas, Tocantins, Roraima, Pará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e Santa Catarina. Até a última atualização, dez pessoas haviam sido presas.

Mais de 100 policiais federais participam da ação, realizada em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Amazonas (MPAM).

Entre os presos está Wellisson dos Santos Albarado, apontado pela investigação como chefe do núcleo logístico da organização no Amazonas. Conforme a PF, ele permanecia grande parte do tempo no Rio de Janeiro e, de lá, coordenava atividades do grupo no estado.

A defesa informou que só deve se manifestar após ter acesso ao inquérito.

Aviões e pistas clandestinas

As investigações apontam que a organização mantinha uma estrutura para financiar, contratar, pilotar, abastecer e realizar a manutenção de aeronaves usadas no transporte de drogas.

Os entorpecentes partiam da região amazônica e eram levados para outras áreas do Brasil. Após o transporte aéreo, a distribuição também utilizava rotas fluviais e terrestres.

Segundo a PF, pelo menos uma das aeronaves teve a identificação adulterada. Os investigadores também identificaram a aquisição e o financiamento de aviões destinados à estrutura logística do esquema.

Durante as investigações, a Polícia Federal realizou ainda uma interceptação aérea em Tefé, no interior do Amazonas. Também foi identificada a queda e o desaparecimento de uma aeronave pertencente ao grupo em uma área próxima à fronteira com a Venezuela.

Grupo teria movimentado mais de R$ 35 milhões

A organização investigada teria movimentado mais de R$ 35 milhões. Segundo a PF, eram utilizados diferentes mecanismos para ocultar a origem dos recursos provenientes das atividades criminosas.

Entre as estratégias identificadas estão empresas de fachada, depósitos e transferências fracionadas, movimentações financeiras realizadas por terceiros e aquisição de bens em nome de outras pessoas.

Os investigadores também apontaram investimentos em imóveis, veículos, embarcações, centros comerciais e outros empreendimentos em Manaus.

A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 7,7 milhões em ativos financeiros, além do sequestro de bens. A medida alcançou 31 veículos avaliados em cerca de R$ 3 milhões e dois centros comerciais localizados nos bairros Novo Aleixo e Tancredo Neves, em Manaus.

Por que “La Máquina”?

O nome da operação faz referência à expressão “La Máquina”, que, segundo os investigadores, aparecia nas comunicações do grupo para identificar as aeronaves utilizadas nos chamados “fretes” de drogas.

Compartilhe esta notícia com quem precisa saber disso

Deixe um comentário