O governo federal informou nesta sexta-feira (24) que 47,3% das exportações brasileiras para os Estados Unidos são impactadas por tarifas adicionais impostas pelo governo norte-americano. A estimativa considera as novas taxas de 12,5% e 25%, anunciadas neste mês, além da sobretaxa sobre aço e alumínio, em vigor desde o ano passado.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), os outros 52,7% das exportações brasileiras permanecem sem tarifas adicionais específicas ou setoriais.
Como as tarifas afetam os produtos brasileiros
Segundo o governo, a distribuição das novas cobranças ocorre da seguinte forma:
- 4,7% das exportações são atingidas apenas pela tarifa de 12,5%, incluindo produtos como minérios, pescados, óleos essenciais e obras de pedra e gesso;
- 1,9% é afetado exclusivamente pela tarifa de 25%, caso do açúcar;
- 16,5% das exportações sofrem as duas cobranças simultaneamente, chegando a uma sobretaxa acumulada de 37,5%. Nessa lista estão máquinas e equipamentos, madeira, calçados, móveis, confecções e óleos.
Além disso, o setor de aço e alumínio continua sujeito à tarifa de 50%, anunciada anteriormente pelos Estados Unidos.
Queda nas exportações para os Estados Unidos
O MDIC informou que, no primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 17,4 bilhões, uma queda de 13% em relação ao mesmo período do ano passado.
As importações de produtos norte-americanos pelo Brasil também recuaram 12,8% no mesmo intervalo.
Segundo o ministério, o cenário é resultado da crescente incerteza na política comercial dos Estados Unidos, marcada pela ampliação de tarifas e outras medidas restritivas.
Brasil avalia resposta
O governo brasileiro classificou as novas tarifas como “arbitrárias e injustificadas” e anunciou que iniciará os procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade, além de levar a discussão à Organização Mundial do Comércio (OMC).
A legislação permite que o Brasil adote medidas equivalentes contra países que imponham barreiras comerciais consideradas injustas. No entanto, antes de qualquer retaliação, a lei prevê consultas públicas e análise técnica das possíveis contramedidas.
Enquanto isso, representantes do setor empresarial defendem que o Brasil mantenha o diálogo com os Estados Unidos para evitar uma escalada das tensões comerciais.












