Touro Branco e Espalha Emoção apresentam temas para o Festival do Mocambo

Touro Branco e Espalha Emoção no Festival do Mocambo
Touro Branco e Espalha Emoção disputam o Festival do Mocambo nos dias 8 e 9 de agosto (Foto: Pedro Coelho - SECOM)

O XXI Festival do Mocambo do Arari promete transformar tradição, ancestralidade e saberes da floresta em espetáculo nos dias 7, 8 e 9 de agosto. Os bois-bumbás Touro Branco e Espalha Emoção apresentaram os projetos artísticos que levarão à arena em 2026, com propostas que valorizam a identidade cultural e a memória do povo mocambense.

Marcado pela utilização de elementos naturais, como madeira, palha e cipó, na construção de alegorias e cenários, o festival busca preservar características próprias e reforçar sua ligação com os conhecimentos tradicionais da região.

Além da disputa entre os bumbás, a programação contará com apresentações de quadrilhas juninas e grupos de pássaros, reunindo diferentes manifestações da cultura popular.

Os bois se apresentam nas noites de 8 e 9 de agosto. A ordem foi definida por sorteio e será mantida nas duas noites: o Espalha Emoção abre as apresentações e o Touro Branco encerra.

Touro Branco apresenta “Saberes Ancestrais”

Atual campeão do festival e presidido por Vinícius Costa, o Boi-Bumbá Touro Branco defenderá o tema “Saberes Ancestrais”, dedicado aos conhecimentos tradicionais da Amazônia, à medicina da floresta, à espiritualidade e aos ensinamentos transmitidos entre gerações.

O projeto será dividido entre os subtemas “O Saber pela Cura” e “O Saber pela Fé”. A proposta destaca personagens como curadores, benzedeiras, parteiras, sacacas e outros guardiões dos saberes populares.

A concepção artística tem como referências as obras “Vestígio de Curandagem”, da professora Fátima Guedes, sobre práticas tradicionais de cura por meio da fé e das plantas medicinais, e “Mocambo do Arari, Sua História, Sua Gente”, da professora Antônia Quintila Gomes Prestes, que aborda as origens e os aspectos históricos, sociais e culturais do distrito.

Uma das novidades apresentadas pelo Touro Branco para 2026 é a mudança do nome do ritmo Marujada para “Mocambada”. Segundo a presidência do bumbá, a iniciativa busca fortalecer uma identidade própria e ampliar a diferenciação em relação aos bois de Parintins.

De acordo com o coordenador do Conselho de Arte do Touro Branco, Zandonaid Bastos, a preparação entrou em uma nova etapa com o início da montagem das alegorias.

“Hoje o Touro Branco entra em uma nova fase, que é a parte alegórica. Também recebemos os materiais de decoração. Cerca de 10% da ferragem que será utilizada já está com os artistas, assim como todo o material de acabamento, cola, pistolas de grampo, pregos e parafusos. Tudo o que nossas alegorias precisam para o acabamento. Estamos dentro do cronograma”, afirmou.

A expectativa é concluir essa fase nas próximas duas semanas, paralelamente à intensificação dos ensaios do elenco.

Espalha Emoção celebra o “Nosso Folclore Popular”

Pioneiro do Distrito do Mocambo, o Boi-Bumbá Espalha Emoção completa 27 anos de história e chega ao 21º ano de disputa no festival com o tema “Nosso Folclore Popular”.

Presidido por Altaides Ribeiro, o bumbá pretende homenagear as raízes culturais do Mocambo e dar protagonismo a ceramistas, artesãos, agricultores e fazedores de cultura da comunidade.

Na primeira noite, o Espalha Emoção apresenta o subtema “Amazônia em Festa”, celebrando a diversidade cultural e a alegria das manifestações populares amazônicas. Na segunda, “Festejos e Saberes” abordará a fé, o folclore e os conhecimentos preservados por diferentes gerações.

Segundo a pesquisadora e diretora de arena Janice Cardoso, uma das principais referências do projeto é Mário Ypiranga Monteiro, pesquisador reconhecido por seus estudos sobre o folclore amazônico.

“Nosso projeto foi fundamentado na sua obra ‘Folclore Amazônico’, volume 1, escrito em 1950, que retrata as lendas, crendices e costumes da Amazônia. Ele também foi um dos primeiros organizadores do primeiro Festival Folclórico do Amazonas, em 1954. O espetáculo reúne artistas de diferentes segmentos da cultura popular”, explicou.

Outra novidade será o retorno de Cardoso Jr. como apresentador do Espalha Emoção.

Nos bastidores, artistas trabalham na produção das alegorias e indumentárias, enquanto itens individuais, povos originários e tuxauas intensificam os ensaios para as duas noites de apresentação.

“O Boi-Bumbá Espalha Emoção está na fase de produção das alegorias. Nossos artistas trabalham dia e noite para entregar um espetáculo à altura de quem vem prestigiar o Festival do Mocambo”, destacou Janice.

Com os dois bumbás em ritmo acelerado de preparação, o Festival do Mocambo chega à 21ª edição reafirmando a valorização da cultura popular amazônica e dos conhecimentos construídos e preservados pela própria comunidade.

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