A polícia francesa cumpriu, nesta terça-feira (3), mandados de busca e apreensão nos escritórios da plataforma X, antigo Twitter, em Paris. A ação faz parte de uma investigação conduzida pelo Ministério Público de Paris, que também convocou o empresário Elon Musk, proprietário da rede social, para prestar depoimento em abril.
Segundo os promotores franceses, a apuração foi ampliada após denúncias envolvendo o funcionamento do chatbot de inteligência artificial Grok, integrado à plataforma.
A investigação agora inclui suspeitas de uso indevido de algoritmos, coleta irregular de dados e possível envolvimento na difusão de conteúdos ilícitos.
Entre os novos pontos analisados estão acusações de geração e disseminação de deepfakes sexualmente explícitos, incluindo imagens com indícios de pornografia infantil, além de possíveis violações de direitos de imagem.
O Ministério Público informou que também investiga eventual cumplicidade da plataforma na manutenção e circulação desse tipo de material.
Além de Musk, a ex-diretora-executiva do X, Linda Yaccarino, e outros funcionários da empresa foram convocados para audiência marcada para o dia 20 de abril.
As convocações são obrigatórias, embora autoridades reconheçam dificuldades práticas para exigir o comparecimento de pessoas que residem fora da França.
A investigação teve início há cerca de um ano, após denúncia apresentada por um parlamentar francês, que apontou possível manipulação algorítmica capaz de distorcer sistemas automatizados de processamento de dados.
O caso é conduzido pela unidade de crimes cibernéticos da promotoria, em conjunto com a polícia francesa e a Europol.
Em comunicado oficial, o Ministério Público afirmou que a apuração busca garantir que a plataforma cumpra a legislação francesa enquanto opera no país.
Após as audiências, as autoridades poderão decidir pelo arquivamento do caso ou pelo avanço da investigação, com eventual responsabilização criminal dos envolvidos.
Até a última atualização desta reportagem, o X não havia se pronunciado. Em manifestações anteriores, Musk classificou a investigação como “politicamente motivada”. Também nesta terça-feira, o Ministério Público de Paris informou que deixará de usar o X como canal institucional de comunicação, passando a divulgar informações por meio do LinkedIn e do Instagram.
*Com informações da Folha de São Paulo
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