Anatel vai usar inteligência artificial para caçar eletrônicos piratas no Brasil

Anatel usa inteligência artificial para combater eletrônicos piratas no Brasil
Celular com símbolo de pirataria digital ilustra nova ofensiva da Anatel contra eletrônicos irregulares no Brasil. (Foto: Magnific)

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) iniciou nesta segunda-feira (1º) uma nova ofensiva contra a entrada de eletrônicos irregulares no Brasil. A partir de agora, o órgão passa a monitorar importações por meio do Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior) e também prepara um novo sistema de certificação com inteligência artificial.

A medida foi apresentada durante o 29º Fórum de Produtos para Telecomunicações, realizado em Brasília na última sexta-feira (29). Segundo informações divulgadas pelo portal TeleSíntese, o objetivo é ampliar a fiscalização sobre produtos não homologados vendidos no país, especialmente em marketplaces e plataformas de e-commerce.

Com a integração ao Siscomex, a Anatel terá acesso às informações registradas nas operações de importação e exportação. A fiscalização ocorrerá logo após a entrada dos equipamentos no país, por meio da análise da Declaração Única de Importação (Duimp).

O sistema permitirá o cruzamento de dados como CNPJ da empresa importadora, classificação fiscal da carga, tipo de aparelho e código de homologação. A intenção é facilitar o processo para empresas regularizadas e concentrar a fiscalização em cargas com indícios de irregularidade.

Além disso, a Anatel poderá compartilhar relatórios com a Receita Federal para reforçar as inspeções alfandegárias.

Outro destaque é o desenvolvimento do novo sistema “Certifica”, que substituirá o atual Sistema de Certificação e Homologação (SCH). A nova plataforma utilizará inteligência artificial para auxiliar os analistas da agência na avaliação dos processos de homologação.

Segundo a Anatel, a IA funcionará como uma assistente virtual, realizando varreduras automáticas nos pedidos e gerando relatórios estruturados para agilizar a análise dos riscos de cada produto.

A agência reconhece que a fase inicial de transição pode aumentar temporariamente os prazos atuais, que variam entre 15 e 50 dias. No entanto, a expectativa é reduzir significativamente o tempo de homologação no futuro, principalmente para aparelhos com Wi-Fi e Bluetooth, responsáveis por cerca de 70% das solicitações processadas.

A Anatel também trabalha em um novo selo de segurança, com versões física e digital, para facilitar a identificação de produtos homologados por consumidores, fiscais e marketplaces.

Durante o evento, o superintendente da Anatel, Vínicius Caram, afirmou que a iniciativa busca combater o mercado paralelo, responsável por um prejuízo estimado em R$ 600 bilhões por ano ao Brasil com a venda de produtos não homologados.

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