As interrupções nos serviços de rastreamento, diagnóstico e tratamento do câncer durante a pandemia de Covid-19 tiveram impacto direto na sobrevida de pacientes oncológicos. A conclusão é de um conjunto de pesquisas conduzidas pelo Centro de Câncer Markey, da Universidade de Kentucky, que analisou os efeitos da crise sanitária sobre o atendimento oncológico nos Estados Unidos.
O estudo mais recente, publicado nesta quinta-feira (5) na revista JAMA Oncology, avaliou dados de mais de um milhão de pessoas diagnosticadas com câncer entre 2020 e 2021.
As informações foram extraídas do banco Surveillance, Epidemiology and End Results (SEER), do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, que reúne dados representativos de cerca de 42% da população norte-americana.
Os resultados mostram queda nas taxas de sobrevivência tanto entre pacientes com câncer em estágio inicial quanto entre aqueles com a doença em fase avançada. Pessoas com 65 anos ou mais apresentaram as reduções mais expressivas. Tipos específicos de câncer, como o colorretal, de pâncreas e de próstata, também registraram diminuição significativa na sobrevida.
De acordo com a análise, pacientes diagnosticados durante os dois primeiros anos da pandemia tiveram menos chances de sobreviver ao primeiro ano após o diagnóstico quando comparados àqueles diagnosticados entre 2015 e 2019.
O levantamento estima um aumento aproximado de 13% nas mortes relacionadas ao câncer nesse período, acima do esperado.
Para os pesquisadores, os dados refletem as falhas no acesso ao atendimento oncológico durante a pandemia, período marcado por atrasos em exames, cirurgias e tratamentos essenciais.
“É lamentável que, em um momento em que tanta atenção estava voltada para a preservação de vidas contra um novo vírus respiratório, tenhamos falhado em manter os níveis de atendimento existentes para indivíduos que enfrentam um diagnóstico de câncer”, disse o autor sênior do estudo, Todd Burus, professor assistente da Faculdade de Medicina da Universidade de Kentucky e membro do Escritório de Impacto Comunitário do Centro de Câncer Markey da Universidade de Kentucky.
As conclusões reforçam achados de pesquisas anteriores da mesma instituição, publicadas em 2024, que estimaram cerca de 150 mil casos de câncer possivelmente não diagnosticados nos primeiros anos da pandemia.
Os estudos também chamam atenção para os efeitos prolongados da crise sanitária e para a necessidade de fortalecer os sistemas de saúde, garantindo a continuidade do cuidado oncológico e ampliando programas de detecção precoce em situações de emergência.
No Brasil, o alerta ganha ainda mais relevância no Dia Mundial do Câncer, quando o Instituto Nacional de Câncer (Inca) reforça a importância do diagnóstico precoce e do acesso contínuo ao tratamento para reduzir mortes evitáveis pela doença.
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