Medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, podem reduzir o risco de morte em pacientes com câncer de cólon. A conclusão é de um estudo realizado pela Universidade da Califórnia em San Diego e publicado na revista Cancer Investigation em 11 de novembro.
Os pesquisadores analisaram dados de mais de 6.800 pacientes atendidos nos centros de saúde da universidade. Segundo o levantamento, indivíduos em uso de medicamentos GLP-1 tiveram menos da metade da probabilidade de morrer em cinco anos em comparação com aqueles que não utilizavam essas terapias.
Os resultados se mantiveram mesmo após ajustes estatísticos relacionados à idade, índice de massa corporal (IMC), gravidade do tumor e outros fatores de saúde, o que indica, segundo os autores, um possível efeito protetor independente desses medicamentos.
Possíveis mecanismos do efeito protetor
O estudo observou que o benefício na sobrevida foi mais evidente entre pacientes com IMC acima de 35. Para os pesquisadores, isso sugere que os GLP-1 podem mitigar condições inflamatórias e metabólicas que pioram o prognóstico do câncer de cólon.
De acordo com a equipe responsável, o mecanismo de ação dessas drogas, redução da inflamação sistêmica, melhora da sensibilidade à insulina e perda de peso, pode influenciar o ambiente metabólico do organismo, reduzindo elementos que favorecem o crescimento tumoral.
Pesquisas laboratoriais citadas no trabalho também apontam que medicamentos GLP-1 podem interferir diretamente no comportamento das células cancerígenas, afetando sua capacidade de se multiplicar, promovendo a morte celular programada e alterando o microambiente tumoral.
Mais estudos ainda são necessários
Embora os resultados sejam considerados promissores, os autores destacam que ainda não é possível afirmar se existe um efeito anticancerígeno direto ou se a proteção observada é consequência da melhora geral do metabolismo.
Novos estudos clínicos serão necessários para confirmar as conclusões e determinar se os medicamentos GLP-1 poderiam, no futuro, ser incorporados como parte do tratamento complementar para esse tipo de câncer.
*Com informações da CNN Brasil
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