Medicamento em testes traz esperança para quem perdeu movimentos após lesão medular

Medicamento em fase de testes busca estimular regeneração de nervos em pacientes com lesão medular. (Foto: Freepik)

Pacientes com lesão medular já apresentam sinais de recuperação após receberem tratamento com polilaminina, um medicamento experimental que busca estimular a regeneração de conexões nervosas. A substância ainda está em fase de testes e aguarda regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sendo aplicada atualmente apenas em caráter de “uso compassivo”.

Esse tipo de autorização permite que pacientes com doenças graves e sem alternativas terapêuticas tenham acesso a medicamentos ainda não registrados oficialmente, mediante avaliação médica e aprovação dos órgãos reguladores.

O que é a polilaminina e como funciona

A polilaminina foi desenvolvida pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Laboratório Cristália, após mais de 20 anos de pesquisas. O medicamento é produzido a partir da proteína laminina, que tem potencial para estimular a regeneração de nervos lesionados na medula espinhal.

O protocolo envolve a aplicação de uma dose única diretamente na área da lesão, durante procedimento cirúrgico. O tratamento é complementado com fisioterapia e acompanhamento multidisciplinar, fundamentais para a recuperação do paciente.

Atualmente, o uso é indicado principalmente para pacientes com lesões recentes, consideradas agudas. Estudos ainda avaliam a eficácia em casos mais antigos, chamados de lesões crônicas.

Pacientes já apresentam avanços

Casos recentes vêm chamando atenção nas redes sociais. Um dos pacientes, Pedro Rolim, voltou a apresentar movimentos apenas 15 dias após receber o medicamento, após sofrer uma lesão medular na altura da vértebra T12.

Outro caso é o do militar Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, que ficou tetraplégico após um disparo acidental em outubro de 2025. A cirurgia com aplicação da polilaminina foi realizada em janeiro deste ano, em Campo Grande (MS), e o paciente segue em processo de reabilitação com fisioterapia.

Segundo os pesquisadores, o objetivo principal da fase atual dos estudos é avaliar a segurança do medicamento, etapa fundamental antes da aprovação definitiva para uso mais amplo.

Como ter acesso ao tratamento

O acesso à polilaminina só é possível por meio dos canais oficiais do Laboratório Cristália, responsável pelo desenvolvimento da substância. O contato pode ser feito pelo telefone 0800 701 1918 ou pelo site oficial do laboratório.

Após o contato, a equipe de pesquisa avalia o caso em conjunto com o médico responsável pelo paciente. O processo inclui análise clínica, preenchimento de documentação e cumprimento dos critérios estabelecidos pela Anvisa.

O laboratório ressalta que o medicamento não está à venda e que qualquer cobrança ou oferta fora dos canais oficiais é ilegal. Nesta fase inicial, os custos relacionados ao acesso e aplicação são custeados pelo próprio laboratório.

Tratamento ainda está em fase inicial

A polilaminina está atualmente no início da fase I dos estudos clínicos, etapa voltada à comprovação da segurança do medicamento em humanos. Os resultados preliminares indicam potencial terapêutico, mas ainda são necessários novos estudos para confirmar a eficácia e ampliar o uso.

Pesquisadores alertam que o tratamento ainda não está disponível de forma ampla e que futuras informações sobre novos estudos e critérios de acesso serão divulgadas pelos canais oficiais.

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