Prevenção ao HIV recebe reforço no Brasil com injeção bimestral já disponível em farmácias

Seringa, cápsulas e frasco de medicamento sobre documento com a palavra HIV em destaque
Imagem ilustrativa de medicamentos e seringa utilizados no tratamento e prevenção do HIV. No Brasil, o cabotegravir, primeira injeção bimestral de PrEP, já está disponível em farmácias e clínicas privadas (Foto: Shutterstock)

O Brasil acaba de receber no mercado privado um novo recurso para prevenção do HIV. Trata-se do cabotegravir, medicamento de longa ação registrado pela Anvisa em 2023, que será comercializado com o nome Apretude. A informação foi divulgada pelo O Globo.

Diferentemente da profilaxia pré-exposição (PrEP) oferecida pelo SUS desde 2017, que exige a ingestão diária de comprimidos, o cabotegravir é aplicado a cada dois meses. A proposta é aumentar a adesão à prevenção, já que muitas pessoas interrompem o uso de comprimidos por dificuldade de manter a rotina diária.

Disponibilidade no Brasil

O novo medicamento será disponibilizado em farmácias e clínicas privadas, com opção de entrega direta ao consumidor. A estratégia faz parte do esforço da farmacêutica GSK/ViiV Healthcare para ampliar o acesso.

“Estamos trazendo ao Brasil a primeira PrEP injetável de longa ação, um avanço importante na prevenção ao HIV, com potencial para ampliar o acesso e beneficiar ainda mais a população do país”, afirmou Roberta Corrêa, Diretora da Unidade de Negócios de HIV da GSK/ViiV Healthcare.

Segundo o Ministério da Saúde, somente em 2023 foram registrados 46,5 mil novos casos de HIV no país. Projeções indicam que, mesmo com a disponibilidade da PrEP oral, o Brasil pode somar ao menos 600 mil novos casos nos próximos dez anos.

Avanços internacionais

Além do cabotegravir, já existem outros medicamentos de maior duração em estudo ou implementação. O lenacapavir, por exemplo, é aplicado a cada seis meses e teve sua comercialização autorizada recentemente pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e pelo FDA, nos Estados Unidos.

De acordo com a EMA, a PrEP é considerada um pilar no combate ao HIV, mas sofre com limitações de adesão e acesso. Nesse contexto, a versão injetável pode representar maior eficácia prática por reduzir falhas no uso.

Cabotegravir no SUS

Por enquanto, a incorporação do cabotegravir no Sistema Único de Saúde (SUS) ainda está em negociação. A avaliação está sob responsabilidade da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), vinculada ao Ministério da Saúde.

A infectologista brasileira Beatriz Grinsztejn, presidente da International Aids Society (IAS) e chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em IST e HIV/Aids do INI/Fiocruz, explicou ao O Globo os desafios.

“Fizemos um grande estudo de implementação no Brasil que incluiu 1.200 pessoas, entre homens que fazem sexo com homens, pessoas trans, pessoas não binárias. Os dados iniciais foram apresentados no início deste ano e houve uma excelente aceitação do medicamento: 83% das pessoas a quem ele foi ofertado junto com outras opções escolheram o cabotegravir”, afirmou.

Segundo Grinsztejn, a principal barreira é o preço.

“Ele já está registrado na Anvisa, mas não foi incorporado ao SUS por questões de inadequação dos preços. Ainda não se chegou a uma negociação viável de preços para que o Brasil possa de fato incorporar essa tecnologia.”

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