Fraude à cota de gênero derruba 15 vereadores no Amazonas após eleição de 2024

sede do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas em Manaus
Decisões da Justiça Eleitoral no Amazonas resultaram na cassação de 15 vereadores. (Foto: TRE-AM)

Um levantamento com base em decisões da Justiça Eleitoral aponta que 15 vereadores tiveram os mandatos cassados no Amazonas por fraude à cota de gênero nas eleições municipais de 2024. As irregularidades foram identificadas em pelo menos cinco municípios do interior e envolvem, principalmente, o uso de candidaturas femininas fictícias.

As decisões, que ainda podem ser alvo de recurso em alguns casos, já provocaram mudanças diretas na composição das câmaras municipais. Em situações mais graves, a Justiça determinou a anulação total dos votos de partidos, resultando na recontagem e redefinição dos eleitos.

Manaquiri concentra maior número de cassações

O caso mais expressivo ocorreu em Manaquiri, onde seis dos onze vereadores eleitos tiveram os mandatos cassados, o equivalente a mais da metade da Câmara Municipal. A decisão foi tomada em janeiro deste ano.

Segundo a Justiça Eleitoral, os partidos PSD e PL utilizaram candidaturas femininas fictícias apenas para cumprir a exigência legal mínima, sem campanha efetiva, com votação irrisória e ausência de movimentação financeira.

Foram cassados:

  • Bruno da Nonata
  • Janderli Carvalho
  • Érica Freitas
  • João Moura
  • Gesse Ventura
  • Valdemar Bandeira

Após a decisão, houve recontagem dos votos e novos parlamentares assumiram as vagas.

Anori: cinco vereadores perdem mandato

Em Anori, cinco vereadores do União Brasil também tiveram os mandatos cassados após a Justiça identificar irregularidades na composição da chapa.

Uma das candidatas teve o registro indeferido por analfabetismo e não foi substituída pelo partido, o que reduziu o percentual mínimo de participação feminina. Além disso, foram apontados indícios de candidaturas fictícias.

Os vereadores atingidos são:

  • Vadernilson Matos Silva
  • Luiz Carlos Pereira
  • Josely Moraes Damião
  • João Tomé Pereira
  • Elton Gonçalves Lima

Outros municípios também registram cassações

O levantamento aponta ainda casos em outras cidades do Amazonas:

  • Novo Aripuanã: a vereadora Lene Barros (MDB) teve o mandato cassado após a identificação de candidaturas fictícias, levando à invalidação da chapa.
  • Alvarães: Gregson Brendo Gonçalves Rodrigues (PT) e Maurício Cruz de Souza (PT) perderam os mandatos após decisão que apontou uso irregular de candidaturas femininas.
  • Presidente Figueiredo: o vereador Maronilson Costa de Fontes (PL) teve o diploma cassado por fraude envolvendo candidatura fictícia.

Caso em Eirunepé foi revertido

Em Eirunepé, a situação teve desfecho diferente. O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) reverteu a decisão que reconhecia fraude à cota de gênero, mantendo nos cargos os vereadores eleitos pelos partidos PSB e AGIR.

O julgamento terminou empatado, e o voto de desempate da presidente da Corte garantiu a reversão da cassação.

Impacto nas câmaras e na eleição

Ao todo, os casos somam 15 parlamentares cassados no estado. Em municípios como Manaquiri e Anori, a Justiça determinou a anulação dos votos das chapas envolvidas e a recontagem dos quocientes eleitoral e partidário, o que altera diretamente o resultado das eleições.

Entenda a regra

A legislação eleitoral brasileira determina que partidos e federações devem garantir o mínimo de 30% de candidaturas de cada gênero nas eleições proporcionais.

Quando há fraude — como o uso de candidaturas fictícias, sem campanha, votação ou movimentação financeira — a Justiça pode cassar toda a chapa, anular votos e declarar a inelegibilidade dos envolvidos por até oito anos.

As decisões fazem parte de um movimento mais amplo da Justiça Eleitoral para combater as chamadas “candidaturas laranjas” em todo o país.

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