Ex-presidente do INSS é preso em operação da PF que investiga fraudes em aposentadorias

Ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, durante entrevista. Ele foi preso pela Polícia Federal em operação que apura esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias.
Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira (13) durante a Operação Sem Desconto, que investiga fraudes e descontos não autorizados em aposentadorias e pensões. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (13) o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, durante a nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões.

A ação é realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao todo, foram cumpridos 63 mandados de busca e apreensão, 10 de prisão preventiva e outras medidas cautelares em 15 estados e no Distrito Federal.

Ex-presidente afastado e outros alvos

Stefanutto havia assumido a presidência do INSS em julho de 2023, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, e foi afastado do cargo em abril de 2025, após a deflagração da primeira fase da operação.

Outro ex-presidente do instituto, Armed Mohamad Oliveira, que também foi ministro do Trabalho e Previdência no governo Jair Bolsonaro, foi alvo de mandado de busca e apreensão.

Também foram alvos o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), apontado como articulador político da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares), e o deputado estadual Edson Araújo (PSB-MA), vice-presidente da CBPA (Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura).

Presos e crimes investigados

Entre os detidos estão o diretor da Conafer, Tiago Abraão Ferreira Lopes, o empresário Cícero Marcelino de Souza Santos, e o presidente do Instituto Terra e Trabalho (ITT), Vinícius Ramos da Cruz.

A PF também cumpriu um novo mandado contra Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como um dos principais operadores do esquema. Ele já estava preso desde setembro por tentativa de atrapalhar as investigações.

Os crimes investigados incluem inserção de dados falsos em sistemas oficiais, organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva, e ocultação de patrimônio.

Esquema de R$ 6,3 bilhões

As investigações apontam que as entidades envolvidas promoveram descontos indevidos estimados em R$ 6,3 bilhões, entre 2019 e 2024, de benefícios de aposentados e pensionistas.

Uma auditoria da CGU realizada em 29 entidades mostrou que muitas delas não tinham estrutura operacional para prestar os serviços oferecidos, como convênios com academias, planos de saúde e auxílio funerário.

O levantamento também indicou que 72% das entidades não entregaram documentação completa ao INSS. Onze delas foram alvo de medidas judiciais e tiveram os repasses suspensos.

Defesa de Stefanutto

A defesa de Alessandro Stefanutto classificou a prisão como “completamente ilegal”, afirmando que ele não tem causado embaraço às investigações e tem colaborado desde o início do processo.

Os advogados informaram que ainda não tiveram acesso à decisão judicial que determinou a prisão e que irão adotar as medidas necessárias. Afirmaram também acreditar que a inocência de Stefanutto será comprovada ao fim do processo.

*Com informações da Folha de São Paulo

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