Estados Unidos atacam a Venezuela e anunciam captura de Nicolás Maduro

Explosões e incêndio registrados durante ataque dos Estados Unidos à Venezuela em operação militar
Incêndio e explosões são vistos durante ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela. (Foto: Luis Jaimes/AFP)

Os Estados Unidos realizaram, neste sábado (3), a maior intervenção militar na América Latina em décadas ao atacar alvos estratégicos na Venezuela e capturar o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

A informação foi confirmada pelo presidente americano, Donald Trump, que afirmou que o casal foi retirado do país e está sob custódia em um navio militar no Caribe, de onde seguirá para Nova York para responder a acusações de narcoterrorismo e crimes ligados ao tráfico internacional de drogas.

Segundo Trump, a operação envolveu bombardeios na capital, Caracas, e em outras regiões do país, incluindo os estados de Miranda, Aragua e La Guaira.

O presidente afirmou ainda que nenhum soldado americano morreu na ação e que houve poucos feridos entre as tropas dos EUA.

Em pronunciamento nas redes sociais, Trump declarou que os Estados Unidos ainda avaliam os próximos passos em relação à liderança venezuelana e sinalizou que Washington poderá apoiar uma transição política no país.

Ele mencionou a líder opositora María Corina Machado como uma das possibilidades para assumir o governo, afirmando que nenhum integrante “leal a Maduro” permanecerá no poder.

O republicano também disse que pretende ter participação direta na indústria petrolífera venezuelana após a operação.

Acusações formais nos EUA

A secretária de Justiça dos Estados Unidos, Pam Bondi, informou que Nicolás Maduro e Cilia Flores foram formalmente indiciados na Justiça de Nova York. De acordo com ela, Maduro responde por conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, além de conspiração para uso desses armamentos contra os Estados Unidos.

A acusação de narcoterrorismo contra o líder venezuelano não é inédita. Em anos anteriores, o governo americano já havia elevado recompensas por informações que levassem à sua captura, alegando que Maduro liderava um cartel ligado ao tráfico de drogas com destino aos EUA.

Explosões e estado de emergência

Autoridades venezuelanas confirmaram que o país sofreu uma “agressão militar” e decretaram estado de emergência. Imagens divulgadas por agências internacionais mostram incêndios e colunas de fumaça em áreas próximas a instalações militares, incluindo o complexo de Fuerte Tiuna, em Caracas.

Testemunhas relataram explosões durante a madrugada, além de quedas de energia em regiões da capital, especialmente próximas a bases militares.

O número de mortos e feridos ainda não foi oficialmente divulgado, mas autoridades locais afirmam que há vítimas civis.

A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) determinou a interrupção do espaço aéreo sobre a Venezuela e sobre a ilha de Curaçao, citando riscos à segurança de voo devido às operações militares em curso.

Regime pede prova de vida

Apesar das declarações de Trump, o governo venezuelano afirmou que não possui confirmação oficial sobre o paradeiro de Maduro e de sua esposa.

Em mensagem transmitida pela televisão estatal, a vice-presidente Delcy Rodríguez exigiu “prova imediata de vida” do presidente e da primeira-dama.

O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, também condenou os ataques e reforçou a exigência de esclarecimentos sobre a situação de Maduro.

Já o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, declarou que o país resistirá a qualquer presença de tropas estrangeiras e manterá os planos de defesa do regime.

Em pronunciamento transmitido pela televisão, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, pediu calma à população e afirmou que o governo segue no comando do país. Ele acusou os EUA de atingirem áreas civis, sem apresentar provas.

Reações internacionais

O chanceler venezuelano, Yvan Gil, classificou a ação como uma grave violação da Carta das Nações Unidas e afirmou que a ofensiva ameaça a paz e a estabilidade da América Latina e do Caribe.

O governo da Venezuela solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para tratar do ataque.

No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que a ação dos Estados Unidos ultrapassa uma linha “inaceitável” e afirmou que ataques militares a países soberanos representam um risco grave à ordem internacional.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também manifestou preocupação e determinou a mobilização de tropas para a fronteira com a Venezuela, diante do aumento da tensão regional.

Escalada militar

A ofensiva deste sábado ocorre após semanas de escalada militar no Caribe. Os EUA haviam enviado navios de guerra e intensificado operações contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas.

Segundo autoridades venezuelanas, bombardeios recentes teriam atingido dezenas de barcos, com mais de cem mortes.

Trump já havia sinalizado, em novembro, que autorizaria operações militares terrestres na Venezuela e ampliado a atuação da CIA no país.

A Casa Branca justifica as ações como parte do combate ao narcotráfico internacional, alegando que a entrada de drogas nos EUA causa milhares de mortes todos os anos.

A situação na Venezuela segue instável, e autoridades internacionais acompanham com preocupação os desdobramentos da ofensiva e seus impactos políticos, humanitários e diplomáticos na região.

*Com informações da Folha de São Paulo

Espia mais:

Compartilhe esta notícia com quem precisa saber disso