São Silvestre chega à 100ª edição com recorde de mais de 50 mil corredores

Largada da Corrida Internacional de São Silvestre com milhares de atletas na Avenida Paulista, em São Paulo
Corredores participam da largada da Corrida Internacional de São Silvestre, que chega à 100ª edição com recorde de inscritos. (Foto: Sérgio Shibuya/MBraga Comunicação)

A mais tradicional corrida de rua do Brasil chega a um marco histórico em 2025. A Corrida Internacional de São Silvestre alcança sua 100ª edição com mais de 50 mil corredores inscritos, estabelecendo um recorde de participantes e reafirmando seu papel como um dos eventos esportivos mais emblemáticos do país.

Criada em 31 de dezembro de 1925, a prova nasceu a partir da inspiração do jornalista, empresário e advogado Cásper Líbero, que, durante uma viagem a Paris, ficou encantado com uma corrida noturna iluminada por tochas.

De volta ao Brasil, decidiu criar uma competição semelhante em São Paulo, sempre realizada no último dia do ano e batizada em homenagem ao santo do dia: São Silvestre.

“A São Silvestre foi uma ideia do jornalista Cásper Líbero, que assistiu a uma corrida noturna em Paris e resolveu trazer essa vibração para o Brasil. Em 1925, ele criou a primeira edição da prova, que hoje chega à sua centésima edição”, explica Eric Castelheiro, diretor-executivo da Corrida Internacional de São Silvestre, em entrevista ao programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil.

Das origens à consolidação nacional

A primeira edição contou com 60 inscritos, mas apenas 48 atletas largaram às 23h40, no Parque Trianon, na Avenida Paulista. O percurso tinha 8,8 quilômetros e o vencedor foi Alfredo Gomes, que completou a prova em 23 minutos e 19 segundos.

Alfredo Gomes entrou para a história não apenas pela vitória, mas também por sua representatividade.

“Ele era um atleta negro e já havia representado o Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris, em 1924. Foi o primeiro negro a representar o país em uma Olimpíada”, lembra Castelheiro.

Desde então, a São Silvestre se consolidou como a corrida mais tradicional do Brasil, sendo interrompida apenas em 2020, em razão da pandemia da covid-19.

Embora a prova tenha completado 100 anos de criação em 2024, é em 2025 que ela efetivamente alcança sua 100ª edição.

Internacionalização e ídolos brasileiros

Inicialmente restrita a atletas brasileiros, a corrida passou a aceitar estrangeiros residentes no país a partir de 1927. Nesse período, o italiano Heitor Blasi, radicado em São Paulo, venceu as edições de 1927 e 1929, sendo o único estrangeiro campeão na chamada fase nacional, que durou até 1944.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, a São Silvestre se abriu a atletas internacionais, primeiro da América do Sul e, dois anos depois, de todo o mundo.

Esse processo resultou em um longo período sem vitórias brasileiras, encerrado apenas em 1980, com o triunfo do pernambucano José João da Silva.

“Foi a quebra de um tabu. O povo chorava, gritava. Eu não tinha ideia do tamanho daquela vitória. Depois você entende o impacto que isso tem na sua vida”, recorda José João da Silva, em entrevista à TV Brasil.

Histórias que inspiram

Ao longo das décadas, a São Silvestre se tornou palco de histórias que ultrapassam o esporte.

Um dos maiores nomes da prova é Marílson Gomes dos Santos, maior vencedor brasileiro desde a internacionalização, com três títulos (2003, 2005 e 2010).

“Quando você ganha a São Silvestre, vê mais pessoas querendo correr, participar de provas de rua. Até hoje escuto relatos de pessoas que começaram a correr porque me viram vencer”, afirma Marílson.

Outro exemplo de superação é o de Maria Zeferina Baldaia, campeã em 2001. Ex-boia-fria, ela correu por 15 anos descalça, enfrentando sol forte e estradas de terra, até alcançar o sonho de competir na principal corrida do país.

“Eu me inspirei na Rosa Mota. Depois da minha vitória, muitas mulheres e meninas passaram a me procurar dizendo que querem ser como eu. Isso não tem preço”, diz Zeferina, que hoje dá nome ao centro olímpico de Sertãozinho (SP).

Maiores vencedores da história

A atleta mais vitoriosa da São Silvestre é a portuguesa Rosa Mota, com seis títulos consecutivos nos anos 1980.

Em seguida aparece o queniano Paul Tergat, com cinco vitórias. Entre os brasileiros, o destaque é Marílson Gomes dos Santos, com três conquistas.

Desde que a corrida se tornou internacional, os brasileiros venceram a prova 16 vezes, 11 no masculino e cinco no feminino. A última vitória brasileira entre os homens foi em 2010, com Marílson, e entre as mulheres em 2006, com Lucélia Peres.

Prova democrática e plural

Atualmente, a São Silvestre é considerada uma das provas mais democráticas do esporte brasileiro. A largada é organizada em ondas, contemplando cadeirantes, atletas PCDs, elites feminina e masculina, além do público amador.

Também existe a São Silvestrinha, voltada para crianças e adolescentes, realizada em data especial no Centro Olímpico do Ibirapuera.

“A São Silvestre não é só competição. Muitas pessoas vêm para cumprir objetivos pessoais, superar limites e celebrar o ano novo”, destaca Castelheiro.

Além do esporte, a corrida também promove a ocupação dos espaços públicos e a conexão com a cidade.

“O corredor passa por marcos históricos de São Paulo. É uma forma de se reconectar com a cidade e com a própria história”, ressalta a atleta e personal trainer Martha Maria Dallari.

Celebração na TV

Para marcar a centésima edição da prova, o programa Caminhos da Reportagem exibe o especial “100 Vezes São Silvestre”, nesta segunda-feira (29), a partir das 22h30, na TV Brasil, emissora da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

*Com informações de Agência Brasil

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