Venezuela e EUA iniciam conversas sobre retomada da exportação de petróleo

Bomba de extração de petróleo em campo petrolífero, representando a produção de petróleo da Venezuela
Campo de extração de petróleo representa o setor energético venezuelano, que pode voltar a exportar para os Estados Unidos após novas negociações entre os países.

Autoridades da Venezuela e dos Estados Unidos iniciaram conversas sobre a retomada da exportação de petróleo bruto venezuelano para o mercado norte-americano. A informação foi divulgada pela agência Reuters, que ouviu cinco fontes ligadas aos governos, à indústria de energia e ao setor de transporte marítimo.

As negociações ocorrem após a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças americanas, no último sábado (3). Pouco depois da ação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela à atuação de grandes companhias norte-americanas.

“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país”, declarou Trump.

Capacidade das refinarias americanas

Segundo a Reuters, refinarias dos Estados Unidos localizadas na Costa do Golfo têm capacidade técnica para processar o petróleo venezuelano e já importaram o produto no passado, antes da imposição de sanções econômicas contra o país sul-americano.

Apesar de concentrar as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, a Venezuela atualmente produz cerca de 1 milhão de barris por dia, volume considerado baixo diante de seu potencial.

De acordo com o analista Arne Lohmann Rasmussen, da consultoria Global Risk Management, qualquer aumento significativo da produção venezuelana deve ocorrer apenas no médio e longo prazo.

“A retomada exige investimentos elevados, recuperação de infraestrutura e estabilidade operacional. É um processo que pode levar anos”, avalia.

O peso do petróleo venezuelano

Dados da Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas energéticas dos Estados Unidos, indicam que a Venezuela possui cerca de 303 bilhões de barris em reservas comprovadas, superando países como Arábia Saudita (267 bilhões) e Irã (209 bilhões).

Grande parte desse petróleo, no entanto, é classificada como extrapesada, o que demanda tecnologia avançada e custos mais altos para extração e refino. Além disso, anos de sanções internacionais e falta de investimentos contribuíram para a deterioração da infraestrutura do setor.

Segundo a Statistical Review of World Energy, publicação anual do Instituto de Energia (EI), a produção venezuelana caiu drasticamente ao longo das últimas décadas, de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para 665 mil barris diários em 2021.

Em 2024, houve uma leve recuperação, com a produção retornando ao patamar de 1 milhão de barris por dia, o que ainda representa menos de 1% da produção global de petróleo.

As discussões em curso indicam uma possível reconfiguração do papel da Venezuela no mercado internacional de energia, mas especialistas apontam que qualquer mudança estrutural dependerá de investimentos, acordos políticos e da evolução do cenário diplomático entre os países envolvidos.

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