Na abertura da COP 30, Lula diz que enfrentar o clima custa menos que financiar guerras

Lula discursando na abertura da COP 30 em Belém, com bandeiras do Brasil e da ONU ao fundo.
Lula durante discurso de abertura da COP 30, em Belém. (Foto: Bruno Peres/Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu oficialmente, nesta segunda-feira (10), a 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30), em Belém (PA), a primeira edição do evento realizada na Amazônia.

No discurso, Lula destacou a importância simbólica e estratégica de trazer a conferência para a região e defendeu que o encontro deve marcar “uma nova derrota aos negacionistas”.

Segundo o presidente, realizar o evento em Belém foi “uma tarefa árdua”, diante dos desafios logísticos e estruturais do Pará.

Ainda assim, classificou a escolha como necessária para reforçar o protagonismo da Amazônia no debate climático global.

“Fazer a COP aqui é um desafio tão grande quanto acabar com a poluição do planeta. Seria mais fácil fazer em um lugar sem problemas, mas decidimos assumir a responsabilidade. Quando há disposição e compromisso com a verdade, nada é impossível”, afirmou.

Críticas ao negacionismo e ao investimento em guerras

Em sua fala, Lula destacou que a mudança do clima deixou de ser uma ameaça distante para se tornar uma “tragédia do presente”, citando eventos extremos recentes, como o furacão que atingiu cidades do Paraná na última sexta-feira (7).

“A COP30 será a COP da verdade. Na era da desinformação, obscurantistas rejeitam a ciência e o multilateralismo. Eles controlam algoritmos, semeiam ódio e espalham medo. É momento de impor uma nova derrota aos negacionistas”, disse.

O presidente também comparou gastos militares à necessidade de financiamento climático, afirmando que os países deveriam priorizar ações ambientais.

“É muito mais barato colocar US$ 1,3 trilhão para enfrentar o clima do que US$ 2,7 trilhões em guerras, como fizeram no ano passado”, criticou.

Racismo ambiental e compromissos da Cúpula de Líderes

Lula voltou a mencionar o acordo sobre racismo ambiental, assinado pelo Brasil na Cúpula de Líderes na última sexta-feira (7).

O documento é considerado um marco por unir justiça racial e ação climática em um mesmo compromisso internacional.

Nos encontros preliminares da COP30, líderes globais já haviam sinalizado três eixos centrais para as negociações:

  • aceleração da transição energética;
  • ampliação do financiamento climático;
  • proteção das florestas tropicais.

Próximos dias serão decisivos

A COP30 segue até 21 de novembro, reunindo cerca de 50 mil participantes entre chefes de Estado, negociadores, especialistas, ativistas e representantes do setor privado.

Agora, as atenções se voltam às mesas de negociação, onde países deverão transformar discursos em metas concretas, com prazos e recursos definidos.

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