Famílias no aluguel aumentam 25%; Norte concentra maior déficit habitacional

IBGE: mais famílias vivem de aluguel no Brasil; Norte tem piores índices de moradia. (Foto: Alf Ribeiro / Shutterstock.com)

O Brasil registrou um crescimento de 25% no número de famílias que vivem em imóveis alugados nos últimos oito anos, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgada nesta sexta-feira (22) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2016, 18,4% dos lares eram alugados. Em 2024, esse percentual subiu para 23% do total de residências, o equivalente a 17,8 milhões de domicílios. O movimento acompanha a queda de 66,8% para 61,6% na proporção de imóveis próprios já quitados.

Situação no Norte e no Amazonas

Apesar da tendência nacional, os números revelam que a Região Norte enfrenta desafios estruturais ainda mais complexos no acesso à moradia digna.

No Amazonas, por exemplo, 95,9% das residências têm acesso à rede geral de água diária, índice superior ao de estados vizinhos, como o Acre (48,5%) e o Pará (86,6%).

Porém, a região como um todo convive com grande déficit de saneamento básico: apenas 24,7% dos lares contam com esgoto ligado à rede geral, enquanto 36,4% despejam dejetos em fossas rudimentares ou diretamente em rios.

Essa realidade se soma a uma característica marcante do Norte: a alta proporção de domicílios cedidos ou em “outra condição”, o que inclui casas de cômodo, cortiços e habitações improvisadas. Esse padrão indica maior vulnerabilidade habitacional quando comparado a outras regiões do país.

Mais pessoas no aluguel

Em termos absolutos, o número de moradores que pagam aluguel no Brasil passou de 35 milhões em 2016 para 46,5 milhões em 2024. Já os que residem em imóveis próprios quitados caíram de 137,9 milhões para 132,8 milhões.

Para o analista do IBGE, William Kratochwill, o crescimento do aluguel é reflexo da concentração de renda e da dificuldade de acesso à casa própria.

“É uma concentração da posse de domicílios para um grupo menor. Se não se criam oportunidades para aquisição, quem busca independência acaba recorrendo ao aluguel”, afirmou.

Troca de casas por apartamentos

Outro ponto destacado pela Pnad é a mudança no tipo de moradia. Entre 2016 e 2024, a proporção de apartamentos subiu de 13,7% para 15,3% dos domicílios brasileiros, enquanto as casas caíram de 86,1% para 84,5%.

Segundo o IBGE, essa transição reflete a urbanização crescente, a busca por proximidade de serviços e também a sensação de maior segurança oferecida pelos condomínios.

Bens duráveis e renda

A pesquisa mostra ainda que a posse de bens de maior valor também aumentou. Em 2024, 48,8% dos lares brasileiros tinham carro (em 2016 eram 47,6%), enquanto a presença de motos subiu de 22,6% para 25,7%.

No Norte, esse avanço é particularmente significativo, já que a moto é um dos principais meios de transporte em cidades médias e áreas ribeirinhas, sendo mais acessível do que o carro.

Para Kratochwill, esse dado também indica melhora no rendimento das famílias, uma vez que automóveis e motocicletas exigem entrada mais alta e acesso a crédito.

População e concentração

A edição especial da Pnad revelou ainda que o Brasil tinha 211,9 milhões de habitantes em 2024, sendo 42% concentrados no Sudeste.

O Amazonas, maior estado do Norte, segue com forte crescimento urbano em Manaus, mas com grandes desigualdades em infraestrutura quando comparado a outras capitais brasileiras.

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