Manaus amanheceu novamente encoberta por uma densa camada de fumaça nesta sexta-feira (9). Pelo segundo dia consecutivo, a capital amazonense apresentou a pior qualidade do ar do Brasil, segundo dados da plataforma internacional IQAir. Diante dos níveis elevados de poluição, a Defesa Civil emitiu um alerta severo à população.
Por volta das 5h, o Índice de Qualidade do Ar (AQI⁺) chegou a 366, nível considerado perigoso pela IQAir. A concentração de partículas finas PM2.5 atingiu 258,2 microgramas por metro cúbico (µg/m³), indicando uma situação de risco à saúde.
O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também classificou a qualidade do ar como péssima durante a manhã.
Às 6h, bairros como Morro da Liberdade e Educandos, além de áreas próximas, registraram concentrações de até 320,2 µg/m³ de partículas poluentes. Para comparação, o sistema Selva considera boa a qualidade do ar quando os índices estão entre 0 e 25 µg/m³.
Com o agravamento da situação, a Defesa Civil orientou os moradores a evitarem a exposição prolongada à fumaça e utilizarem máscaras de proteção ao sair de casa.
Escolas e universidades suspendem atividades
A piora da qualidade do ar provocou a suspensão de aulas e atividades presenciais em instituições de ensino da capital amazonense.
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) suspendeu as atividades acadêmicas e administrativas presenciais durante a manhã desta sexta-feira em todas as unidades de Manaus. As atividades foram transferidas para o formato remoto.
O Instituto Federal do Amazonas (Ifam) também anunciou a suspensão das atividades presenciais nos três turnos — manhã, tarde e noite — e determinou a reorganização das aulas.
Na rede municipal, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), suspendeu as aulas desta sexta-feira (9).
A medida também abrange os centros de atendimento especializados, os Centros Municipais de Arte-Educação (Cmaes) e o Parque Cidade da Criança.
Incêndios agravam situação no interior do Amazonas
A fumaça também atingiu municípios da Região Metropolitana de Manaus. Em Itacoatiara, a concentração de partículas poluentes chegou a aproximadamente 500 µg/m³ durante a madrugada, conforme registros do aplicativo Selva.
No município, o incêndio na região do Lago do Canaçari chegou ao 20º dia, com cerca de 1,3 mil hectares atingidos pelas chamas.
Moradores e equipes de combate trabalham na abertura de aceiros, faixas de terreno sem vegetação utilizadas para impedir a propagação do fogo. Uma aeronave também auxilia nas operações.
Outro incêndio, nas proximidades do bairro Jacarezinho, chegou ao terceiro dia e já atingiu 256,71 hectares. O Corpo de Bombeiros atua no isolamento da área para evitar o avanço das chamas.
Dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) apontam que 46 novos eventos de fogo foram registrados na região entre os dias 4 e 7 de outubro.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente acompanha as ocorrências e trabalha na apuração das responsabilidades.
Riscos à saúde exigem cuidados
A exposição à fumaça e às partículas finas presentes no ar pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, tosse, falta de ar e agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com problemas respiratórios estão entre os grupos que precisam de atenção especial durante episódios de poluição intensa.
A recomendação é reduzir atividades físicas ao ar livre, evitar exposição desnecessária à fumaça e, quando for indispensável sair, utilizar preferencialmente máscaras do tipo PFF2 ou N95, que oferecem maior proteção contra partículas finas.











