Aviões lançam mais de 10 mil litros de água para combater incêndios no Amazonas

Avião amarelo do Ibama lança água sobre área de floresta atingida por incêndio no Amazonas, em meio à fumaça
Aeronave Air Tractor lança água sobre área atingida por incêndio florestal no Amazonas durante operação de combate às queimadas. (Foto: Ibama)

Aeronaves do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) lançaram mais de 10 mil litros de água sobre áreas atingidas por incêndios florestais na Região Metropolitana de Manaus, nesta segunda-feira (12). A ação faz parte de uma força-tarefa do governo federal para conter o avanço das queimadas no Amazonas.

Imagens registradas durante a operação mostram um avião Air Tractor despejando água sobre as chamas, enquanto uma densa camada de fumaça encobre o horizonte. Até a tarde de segunda-feira, as equipes haviam acumulado 67,2 horas de voo.

Segundo o Ibama, 11 aeronaves foram mobilizadas para atuar no estado, incluindo seis aviões Air Tractor, um cargueiro KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), três helicópteros e um avião Caravan.

Fumaça intensa dificulta operações aéreas

As aeronaves estão distribuídas para atender diferentes regiões do Amazonas, incluindo Manaus, Autazes, Itacoatiara e Parintins. Também está prevista a instalação de uma base de apoio às operações aéreas em Itacoatiara.

Na segunda-feira (12), o cargueiro KC-390 da FAB realizou três voos na região do Baixo Amazonas, próximo a Parintins. A aeronave conta com um sistema especial que permite lançar grandes volumes de água ou líquido retardante diretamente sobre os incêndios.

Apesar da mobilização, a fumaça intensa prejudicou a visibilidade e impediu que parte das aeronaves operasse. Segundo o Ibama, além do KC-390, apenas três helicópteros conseguiram realizar voos, destinados ao apoio logístico das equipes em solo.

Para esta terça-feira (13), estavam previstos mais três voos do cargueiro militar, sendo um em Parintins e dois em Itacoatiara.

Amazonas registra aumento de 271% nos focos de incêndio

O avanço das queimadas preocupa as autoridades ambientais. Nos dez primeiros dias de outubro, o Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio, contra 372 no mesmo período de 2025, segundo dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

O número representa um aumento de aproximadamente 271% em um ano.

Dos focos identificados, 1.186 ocorreram em áreas públicas, 93 em propriedades privadas e 101 em locais sem situação fundiária definida.

Os registros também incluem 246 focos em assentamentos federais, 116 em terras indígenas e 97 em unidades de conservação.

Ministro identifica incêndios no interior de florestas preservadas

No domingo (11), uma comitiva do governo federal sobrevoou áreas afetadas pelas queimadas no Amazonas.

Após a inspeção, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que encontrou uma situação mais grave do que esperava, com incêndios identificados até mesmo no interior de áreas de floresta preservada.

Segundo o ministro, a presença de focos isolados em locais de difícil acesso pode indicar incêndios provocados intencionalmente para degradar a vegetação e facilitar futuros desmatamentos.

Capobianco também solicitou que o governo estadual mobilize a Polícia Militar para atuar em conjunto com o Corpo de Bombeiros no combate ao fogo e na identificação dos responsáveis.

Manaus continua sofrendo com a fumaça

As queimadas também seguem afetando a qualidade do ar na capital amazonense. Na manhã desta terça-feira (13), Manaus apresentou melhora nos indicadores de poluição, mas continuava com o ar mais poluído do Brasil, segundo a plataforma IQAir.

Por volta das 5h30, o Índice de Qualidade do Ar (AQI⁺) estava em 92, considerado moderado, com concentração de partículas finas PM2.5 de 31 microgramas por metro cúbico.

Na segunda-feira (12), o índice havia chegado a 195, classificação considerada insalubre.

O monitoramento do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também identificou diferenças entre os bairros. No Puraquequara, a concentração de partículas chegou a 51,2 µg/m³, enquanto no Coroado atingiu 88,8 µg/m³, nível classificado como muito ruim.

Apesar da chuva registrada durante a madrugada em alguns bairros de Manaus, a fumaça continua afetando a população.

Com informações do g1 Amazonas.

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