Amazonas é o segundo estado que mais explora madeira na Amazônia

Imagem aérea mostra área de floresta explorada ao lado de vegetação preservada na Amazônia
Área de floresta explorada para fins madeireiros na Amazônia, segundo estudo da rede Simex. (Foto: Divulgação)

O Amazonas registrou 46,1 mil hectares de floresta explorada para fins madeireiros entre agosto de 2023 e julho de 2024, tornando-se o segundo estado com maior área explorada na Amazônia brasileira no período, segundo estudo da rede Simex.

Os dados foram divulgados em dezembro pela rede Simex, formada por ICV, Imaflora e Imazon. O volume registrado no Amazonas corresponde a 15% de toda a área explorada na Amazônia Legal durante o período analisado.

No ranking nacional, o estado aparece atrás apenas do Mato Grosso, que concentrou 190 mil hectares explorados, o equivalente a 58% do total. O Pará ocupa a terceira posição, com 43 mil hectares, ou 13%.

Situação no sul do Amazonas

O estudo aponta que a região sul do Amazonas concentra parte relevante da exploração madeireira, tanto legal quanto ilegal. O município de Lábrea ocupa a segunda posição no ranking nacional de exploração ilegal, com 12,7 mil hectares de floresta explorados sem autorização.

Segundo os pesquisadores, essa área é considerada uma das mais críticas do estado em relação à pressão sobre áreas protegidas.

Avaliação dos especialistas

Para o diretor de Florestas e Restauração do Imaflora, Leonardo Sobral, os dados indicam que, apesar de a área total explorada permanecer estável, a ilegalidade no sul do Amazonas demanda ações mais efetivas de governança e fiscalização.

“A consolidação dos dados para a Amazônia mostra que o avanço do monitoramento da exploração madeireira tem produzido um retrato mais preciso da atividade na região, permitindo separar o que é manejo sustentável do que ainda ocorre à margem da legalidade”, afirmou.

Impacto em áreas protegidas

O levantamento também aponta avanço da exploração ilegal em áreas protegidas no Amazonas. A Terra Indígena Kaxarari, localizada entre o Amazonas e Rondônia, foi uma das mais afetadas, com 2.885 hectares explorados de forma irregular.

A analista técnica do Imaflora, Júlia Niero, avalia que os números refletem um problema estrutural na fiscalização ambiental.

“Quando a exploração ilegal cresce dentro de Terras Indígenas e Unidades de Conservação, isso indica fragilidade nos mecanismos de comando e controle e uma resposta insuficiente diante de um problema que se repete há anos”, disse.

Panorama da exploração na Amazônia

De acordo com o estudo, 327,6 mil hectares de floresta foram explorados em todo o bioma amazônico no período analisado. Desse total, 69% — o equivalente a 225,1 mil hectares — tiveram autorização dos órgãos ambientais, enquanto 31%, ou 102,5 mil hectares, ocorreram sem autorização.

Dentro das áreas protegidas, a exploração ilegal somou 8,1 mil hectares em Unidades de Conservação, um aumento de 184% em relação ao período anterior.

Gestão florestal

A pesquisadora do Imazon Camila Damasceno destacou que a redução da exploração legal pode indicar enfraquecimento da gestão florestal, o que impacta diretamente quem atua de forma regular no setor.

“Compreender esses movimentos é essencial para orientar políticas públicas que fortaleçam o manejo florestal sustentável e ampliem a proteção da floresta. Os dados ajudam a identificar os polos de maior pressão e apontam onde é prioritário avançar na gestão e na fiscalização”, afirmou.

*Informações do G1 Amazonas

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